Viúvas do Neoliberalismo

O mundo ainda amarga, desde 2008, sua maior crise econômica desde 1929, com bilhões de pessoas pagando o preço do desemprego, da queda da renda e da perda de sua moradia e de direitos sociais, devido à aplicação, nas décadas de 1990 e 2000, das chamadas políticas neoliberais, como a desregulamentação do mercado financeiro, a liberalização da movimentação de capitais especulativos, a escalada das privatizações e a retirada da proteção social.

Parece mentira, mas, após tanto estrago feito, ainda aparecem adeptos da retomada do neoliberalismo. Nessa semana, matéria de um periódico local apresentou estudo de um desses institutos de inspiração liberal, mostrando que o Brasil tem o pior retorno (em termos de serviços públicos) dos impostos arrecadados entre 30 países.

O Estudo classifica em primeiro lugar os EUA (com seus 45 milhões de americanos abaixo da linha de pobreza), seguido de alguns países que não priorizam a proteção social, como a Coréia do Sul e o Japão. Por outro lado, coloca entre os piores, de forma surpreendente, Dinamarca, Finlândia e França, à frente apenas do Brasil. Qualquer cidadão mais bem informado, contudo, diria que o Brasil está em boa companhia.

Na mesma edição, aparece artigo de um certo advogado afirmando que “seria ótimo ver a Petrobras, a Eletrobrás, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal, companhias elétricas e de gás, todas devidamente privatizadas” (sic). Prognostica ainda que teremos em breve um “estouro inflacionário incontrolável” e classifica os beneficiários do Bolsa Família de “pensionistas do Estado”. Contudo, parece não entender que, precisamente por rechaçar a política de privatização/doação do patrimônio público e por apoiar a retirada de milhões de brasileiros da linha de miséria, a maioria do povo tem recusado, pelo seu voto, o retorno das políticas neoliberais.

 

* Júlio Miragaya é conselheiro do Cofecon, presidente da Codeplan e membro do PT/DF

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