Brasil pode sair primeiro da crise e crescer 4% em 2010, diz The Economist


Um dos últimos países a sofrer redução da atividade econômica em função da crise mundial, o Brasil pode estar entre os primeiros a superar os problemas e retomar o crescimento, afirma uma reportagem publicada na revista The Economist na quinta-feira (11). O texto cita a famosa frase de Lula “nunca antes na história deste país” para dizer que, para a fúria de seus oponentes, o presidente costuma estar certo quando diz que os dados positivos no País começaram após assumir o seu primeiro mandato, em 2003. Segundo a revista, uma série de bons indicadores, do patamar da bolsa de valores à criação de crédito, está praticamente de volta aos níveis anteriores à quebra do banco Lehman Brothers em setembro do ano passado.

Além disso, diz o texto, os dados do Produto Interno Bruto (PIB) – que caiu 0,8% no 1º trimestre ante o 4º trimestre de 2008 – vieram melhor que o esperado. “Muitos analistas acreditam que o Brasil está começando a crescer de novo, e vai voltar ao patamar de crescimento anual de 3,5% a 4% no próximo ano. Se isso acontecer, isso significaria que o País escapou da crise com apenas uma breve recessão.” “Pegue a taxa de juros: no dia 10 de junho o Banco Central cortou sua taxa básica, a Selic, para 9,25% ao ano, a primeira vez que a taxa atinge um dígito desde os anos 60″, afirma o texto.

Entre as razões para isso, a publicação cita que as políticas fiscal e monetária do governo estão acelerando a recuperação do País. Além disso, o sistema financeiro está saudável e a demanda doméstica continua robusta. O texto comenta ainda as mudanças no comércio exterior do País, que levaram a China a ultrapassar os Estados Unidos como maior parceiro comercial do Brasil.

REALIDADE

O deputado Pedro Eugênio (PT-PE) disse que o otimismo dos economistas nacionais e internacionais com a retomada ágil do crescimento do Brasil não é mera previsão. “Este otimismo acontece por conta do reconhecimento da nossa realidade econômica. Não se trata de uma previsão subjetiva, mas sim de uma avaliação objetiva. A demanda e o varejo interno permaneceram aquecidos durante todo este período de crise. Isso é um grande diferencial em relação a vários outros países que tiveram recessão”, afirmou o parlamentar.

No entanto, segundo o petista, esse quadro positivo não aconteceu por acaso. “O governo Lula adotou uma série de medidas que levaram a este cenário. Algumas delas adotadas especialmente em função da crise, como a redução do IPI para o setor automobilístico, que representa uma fatia importante da economia nacional, para a linha branca e para a construção civil, que atualmente é responsável pela maioria dos empregos gerados. Além disso, outras políticas de fortalecimento da economia já vinham sendo aplicadas, como a valorização do salário mínimo e a redução de juros. Tudo isso garantiu o aumento da demanda interna”, avaliou.

A manutenção dos investimentos do governo, segundo o parlamentar, também teve um papel central no fortalecimento da economia brasileira frente à crise. “O governo incentivou a manutenção do consumo das pessoas e trabalhou pesado para garantir os investimentos com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), por exemplo. A economia, como um todo, está bem e a conclusão é real: o Brasil foi o último a entrar na crise e deverá ser o primeiro a sair. Só a oposição ao governo Lula que não consegue enxergar isso”, completou Pedro Eugênio.

EMPREGOS

Confirmando os bons indicadores econômicos do País, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, afirmou nesta quinta-feira (11) que o mercado de trabalho deve melhorar a partir do segundo semestre. “Já atravessamos o fundo do poço e superamos a pior fase”, garantiu Lupi. Quanto à criação de empregos, Lupi acredita que o Brasil vai conseguir gerar 1 milhão de novos postos de trabalho no ano. O ministro também aposta em aumento do PIB de no mínimo 2% em 2009. “No ano, teremos um crescimento do PIB de 2%”, afirmou Lupi.

O otimismo com a recuperação recorde da economia brasileira também é sentido por especialistas da área. A relatora do Comitê de Datação de Ciclos Econômicos (Codace) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Marcelle Chauvet, acredita que o Brasil esta próximo de novo ciclo de expansão econômica, apesar da queda recorde dos investimentos no primeiro trimestre. “Os indicadores mensais de atividade já apontam recuperação da economia brasileira, a partir de março. Essa recuperação ainda é incipiente e relativamente frágil, mas, se sustentada nos próximos meses, delineará o fim da recessão”, afirmou a economista. Para Chauvet, os dados de maio, que serão divulgados a partir de julho, podem dar sinais definitivos.

O resultado do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre confirmou a decisão do Codace de considerar o País em recessão, mesmo antes de o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontar o segundo trimestre seguido de queda do PIB. Agora, as indicações são no sentido contrário. “A queda de produção no último trimestre de 2008 foi brusca, mas os modelos indicam que foi temporária e já está havendo recuperação. O Brasil entrou em recessão bem depois dos EUA, e deve sair antes.”

Liderança PT/Câmara (www.informes.org.br)

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