Entrevista com a liderança do município de Simões Filho, Edson Almeida, o “irmãozinho

Como foi sua Infância e juventude?

Nasci em Santo Amaro da Purificação. Fui morar em Simões Filho em 1959, aos 7 anos de idade, porque meu pai trabalhava em uma empresa e foi transferido para lá. Ficamos um período e depois meu pai foi transferido novamente para Santo Amaro, mais precisamente para Oliveira dos Campinhos, lugar conhecido que possui maior índice de longevidade de vida do país. E lá fomos nós novamente. Porém, tivemos que voltar porque Oliveira só tinha colégio até o primário, não tinha o ginásio, daí meu pai pediu demissão da empresa em que trabalhava e viemos morar em Água Comprida, em Simões Filho. Ele trabalhou em uma empresa de postes e concreto armado, a Cavan. Foi a primeira indústria de Simões Filho. A fábrica tinha uma escola para os filhos dos funcionários. Lá concluímos o primário e eu fui trabalhar na fábrica. A minha mãe fazia a limpeza do colégio que eu estudava e teve um período, em 1965, que ela teve que fazer as fardas do colégio. Foi um tempo em que ela trabalhou muito, acredito que o trabalho excessivo foi o motivo da morte dela. Por ser muito pobre, fui continuar a fazer a limpeza da escola no lugar de minha mãe. Estudava e, no intervalo, ia varrer a escola, limpar os banheiros e os móveis. Um dia o gerente da empresa visitou a escola e me encontrou trabalhando. Ele indagou o porquê daquilo. Fui chamado no escritório da empresa e me perguntaram se queria trabalhar na indústria. Fui trabalhar de office boy e, por ser muito curioso, ia fazendo pequenos favores ao pessoal do financeiro, do operacional e do comercial. Quando fiz 18 anos me contrataram e eu fui trabalhar no almoxarifado. Coincidentemente, nesta época já tinham algumas pessoas que já me chamavam de prefeito, “prefeitinho”. Até então, nunca tinha pensado em política.

Foi assim, na empresa, que começou a sua carreira política?

A Cavan tinha uma superintendência em Recife que fazia a auditoria nas fábricas do nordeste. A unidade de Simões Filho tinha um problema que era o almoxarifado – foi justamente nessa época que o Polo de Camaçari estava sendo instalado. As fábricas em implantação faziam muitos pedidos à Cavan, cujo serviço era de absoluta qualidade. Em pouco tempo, o problema virou um modelo de eficiência e o almoxarifado da Cavan se transformou em referência para todo o Brasil. Fui chamado a Recife e, quando cheguei lá, fui intimado a assumir a chefia do almoxarifado, porém, para isso acontecer, eu teria que assumir o lugar de um amigo. Inicialmente, recusei, mas depois fui obrigado a aceitar. Tempos depois fui transferido para o setor de recursos humanos, que passou por grandes transformações. A relação com o trabalhador foi, de fato, humanizada. Chegamos ao ponto de adiantar o pagamento dos salários. Nessa fase, exatamente em 1972, comecei a namorar a filha de um vereador. Nunca tinha me envolvido em política. Em 1974, me casei com 23 anos. Na eleição de 1976, o MDB não tinha número suficiente de candidatos para formar a chapa. Ninguém queria compor, nem que fosse para somente colocar o nome para constar. Em primeiro lugar, porque era oposição e, depois, pelo fato de as pessoas não disporem de tempo para cuidar da política. Outro fator que pesava era o fato de o vereador não ser remunerado.

Aí, então, você se candidatou a vereador?

Para atender ao pedido do meu sogro, falei o seguinte: ‘vou me filiar, mas não vou ser candidato de fato’. Aconteceu que os operários da Cavan forçaram a barra para que eu fosse candidato de verdade. Resisti o quanto pude, pois dizia a eles que não tinha dinheiro, que tinha acabado de casar e, por fim, que estava construindo a minha casa. Então, ou construía a casa; ou fazia campanha. A turma dizia que dava para fazer as duas coisas juntas. De repente, quando menos esperava, o pessoal começou a juntar dinheiro, fazendo, vaquinha para que eu pudesse fazer campanha para vereador e construir a casa.

E ganhou a eleição?

Ganhei, claro! A maioria dos que tiveram essa atitude maravilhosa comigo já morreram. Não compareci à apuração dos votos porque tinha que trabalhar. Depois de totalizado os votos, espalharam a notícia na cidade que um outro candidato chamado Edson (Edson Luís) é que tinha ganhado. Mas não foi verdade. Quando cheguei no local onde o resultado era divulgado, vi que estava eleito com quase 700 votos, uma excelente votação na época. Não queria, mas o povo me escolheu e fui abraçando essa missão de trabalhar pelos que mais precisam.

Ao todo, foram quantos mandatos de vereador?

Três. A minha vida sempre foi sempre foi de trabalho. Isso sempre foi minha marca desde a infância. Desde cedo, desenvolvi um senso de responsabilidade muito grande. Aos 32 anos de idade, bem jovem ainda, me tornei presidente da Câmara de Simões Filho.

Quando você se elegeu prefeito pela primeira vez?

Foi em 1996, à época estava filiado ao PTB. O atual prefeito Eduardo Alencar era amigo de meu sogro. Ele sempre me dizia ‘vamos nos candidatar, quem tiver melhor no páreo fica como prefeito’. Eduardo fazia pesquisas e em todas eu estava à frente dele. Porém, ele não recuou. Tenho muito serviços prestados à minha cidade do coração. Às vezes, não acredito que fiz tanta coisa.

Qual foi a grande marca dessa sua administração?

Na rua em que eu morava – na minha infância – era muita lama. Quando chovia era muito difícil sair. Às vezes, tinha que ir para a escola com um plástico no pé para não sujar o sapato de lama. Isso ficou na minha mente. Quando assumi a prefeitura, consegui R$ 8 milhões do governo federal para construir contenções de encostas. Cerca de 80% das encostas que existem em Simões Filho foram construídas por mim. Essa foi a minha marca.

E o seu segundo mandato de prefeito?

No fim do meu primeiro mandato, em 2000, tinha 80% de aprovação, mas como ainda não existia reeleição, apoiei Eduardo Alencar, que ganhou a eleição com tranquilidade. Ele deveria retribuir esse apoio quatro anos depois, mas não fez. Em diversas ocasiões, inclusive, ouvi da boca dele que o compromisso seria cumprido. Fui candidato mesmo assim, disputei contra ele e ganhei com 1800 votos de frente. Depois da eleição, saí do partido no qual estava filiado, o PR, e fui para o PT. Na época, todo mundo estava contra Lula. Era a época do mensalão. Rompi e disse: ‘vou apoiar Lula, o que estão fazendo com ele também está acontecendo comigo’. Em 2008, tinha dado a palavra de que apoiaria Dinha, que era meu vice na época, e cumpri. Se eu der a palavra, cumpro até o fim.

Ao que você atribui essa identificação que o povo de Simões Filho tem contigo e de onde nasceu o apelido “irmãozinho”?

É o carinho, o meu jeito de lidar com o povo. Sempre procuro tratar as pessoas sem demagogia e sem impessoalidade. Apesar de estar na política há 35 anos, não tenho inimigos. Posso ter adversários, mas não é inimigo. Tenho adversário, por exemplo, que vou na casa dele e converso como pessoa civilizada. Carisma é um dom. Você já nasce com isso. É isso que acontece comigo. As pessoas podem estar chateadas, não querendo me ver nunca mais na vida, mas, quando ficam na minha frente, dizem: ‘não posso ter raiva de você, irmãozinho. Você conquista a gente. Por mais que queira não gostar de você, não consigo’. E eu não faço nada de forma premeditada, é natura e isso desde menino. Você vê os operários que se reuniram pra me dar o pacote de dinheiro não é uma coisa normal pra indústria, uma fábrica que não tinha pensamentos políticos naquela época. O apelido de “irmãozinho” surgiu porque vejo todo mundo com irmão. Uso a palavra no diminutivo porque a uso de forma carinhosa. Sempre chamei as pessoas de irmãozinho ou irmãzinha. Aí, essa forma de tratamento foi pegando e acabou virando minha marca. Todo mundo me chama de irmãozinho.

Atualmente, qual a área Simões Filho que precisa de cuidados mais especiais?

A cidade está precisando de tratamento em todas as áreas. Mas infraestrutura urbana é a questão mais imediata. Esse tipo de intervenção levanta a auto-estima das pessoas. Já pensou em como se sente um cidadão que mora em uma rua que, quando chove, ele não consegue entrar em casa? É muito difícil. Eu construí um bairro todo em Simões Filho quando fui prefeito. O bairro cresceu e muitas coisas lá ainda estão da mesma forma como deixei. Então, isso dói na gente. Outra área que vou atuar forte é o esporte, porque está preocupando demais com o combate ao crack, que está tomando uma dimensão que não sei se, daqui uns dias, vai ter governo capaz de controlar. O esporte, aliado a educação, são as melhores ferramentas para resolver definitivamente a situação em médio prazo. A música é outra vertente que vamos incentivar para dar novas perspectivas aos nossos jovens.

Com mais de 35 anos de vida pública, qual o grande ensinamento que você tira?

Foram vários, mas o mais importante é o de que o povo é sábio.

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