Especialistas defendem união para ampliar acesso à leitura

FOTO: Reprodução
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O hábito da leitura pode ser um eficiente instrumento de desenvolvimento do país e deve ser incentivado por meio de programas integrados pelos diversos ministérios, bem como por parcerias com o setor privado. A ideia foi defendida por especialistas da área de educação que participaram, nesta quarta-feira (14), da primeira mesa de debates do seminário “Expansão do acesso à leitura: a integração entre ações públicas e privadas”, promovido pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE).

Os convidados, representantes do governo e da organização da sociedade civil Ecofuturo, também defenderam a implantação, pelo Executivo, e a manutenção, pelo setor privado, de bibliotecas em todos os municípios brasileiros. O seminário, uma iniciativa do presidente da CE, senador Flávio Arns (PT-PR), e do senador Cristovam Buarque (PDT-DF), terá prosseguimento na manhã desta quinta-feira (15).

O estímulo à leitura, enfatizou a diretora de Educação e Cultura do instituto Ecofuturo, Christine Castilho Fontelles, precisa ser feito por meio de uma proposta suprapartidária e com iniciativas do setor privado em parceria com o público. Também o presidente da instituição, Daniel Feffer, sugeriu a participação de partidos políticos, juntamente com governo, iniciativa privada e terceiro setor, para realizar mudanças educacionais que estimulem a leitura.

Para o secretário executivo do Ministério da Cultura, Alfredo Manevy, a priorização da leitura é uma decisão estratégica para o desenvolvimento do país. Em sua avaliação, o hábito da leitura pode contribuir para reduzir a desigualdade social entre os brasileiros. No mesmo sentido, Fabiano dos Santos, diretor de Livros, Leitura e Literatura do ministério, disse que o “livro tem a capacidade de estimular outros pontos sociais”, o que ele definiu como “do-in antropológico”.

Manevy defendeu a instalação de bibliotecas pelos governos federal, estaduais e municipais, bem como a manutenção e qualificação profissional dos atendentes feita pelo setor privado. Ele criticou, no entanto, o fato de, em muitas cidades, as bibliotecas serem usadas como depósitos ou não atenderem adequadamente à comunidade em razão da desqualificação profissional ou do horário de atendimento, entre outros fatores. Para ele, as bibliotecas devem ser “espaços vivos e dinâmicos”.

Investimentos

Manevy ainda registrou que deverá ser encaminhado ao Congresso Nacional projeto de lei que cria o fundo pró-leitura, que será específico para políticas de desenvolvimento do setor. O fundo nasceu da contrapartida da desoneração fiscal da cadeia do livro em cerca de 10%, que possibilitou ao setor privado participar com investimentos diretos. As empresas contribuirão com R$ 50 milhões e o governo com cerca de R$ 150 milhões, informou.

Também a secretária de Educação Básica do Ministério da Educação, Maria do Pilar Lacerda, destacou que os investimentos podem se tornar sem efeito caso não haja envolvimento dos entes públicos e privados. As escolas, enfatizou, devem incorporar suas bibliotecas ao trabalho pedagógico e não serem locais para guardar livros ou para colocar alunos de castigo, prática, segundo informou, verificada em muitos estabelecimentos de ensino.

– Não cabe só à escola, mas é um esforço de todos – enfatizou.

Para a secretária geral da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, Elizabeth Serra, deve haver investimento na qualificação dos profissionais que trabalham nas bibliotecas. Ela também defendeu campanha nacional permanente para chamar a atenção das famílias para a importância da leitura.

Na opinião de Jane Cristina da Silva, que também representou o Ministério da Educação, o acesso à leitura é um direito de todas as pessoas. Para ela, a democratização da leitura é um tema que deve envolver todos os ministérios, bem como todos os setores da sociedade.

O Dia da Leitura, celebrado em 12 de outubro, e a Semana Nacional da Leitura e da Literatura foram instituídos a partir de projeto de lei de iniciativa do senador Cristovam Buarque (PDT-DF). O senador Flávio Arns disse esperar que, no próximo ano, também as assembléias legislativas e câmaras municipais realizem seminários para debater o tema.

Agência Senado

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