Luiza Maia, a deputada que “chegou chegando”

 

Poucas pessoas conseguiram estabelecer um debate de tamanho interesse para a sociedade no meio político como a deputada Luiza Maia (PT). Em seu primeiro mandato, a petista causou impacto ao propor o fim do voto secreto na Assembleia Legislativa, projeto que gerou polêmica e lhe rendeu até perseguições na Casa parlamentar. A deputada, que é a primeira-dama de Camaçari, concedeu uma entrevista exclusiva ao Teia de Notícias e contou o que sofreu nos bastidores para ao menos tramitar o projeto de sua autoria que ganhou a simpatia popular. No bate-papo, Luiza, legítima política do interior, diz que não se intimidou com as acusações que sofreu dos caciques baianos e promete polemizar com novas propostas.

 

Por Gusmão Neto

Teia de Notícias: Deputada conta um pouco como foi o processo nos bastidores durante o andamento do seu projeto que previa o fim do voto secreto na Assembleia. É verdade que a senhora foi perseguida e retaliada até por colegas de partido que eram contrários à aprovação?

 

 

Luiza Maia: Olha, logo que eu apresentei o projeto, alguns deputados me diziam: ‘Oxe, você não vai pra lugar nenhum. Você não vai conseguir nem as assinaturas para fazer tramitar o projeto’. Eu precisava de 21 assinaturas e consegui 25. Até alguns que assinara me diziam que estavam assinando só para tramitar, mas já antecipavam que discordavam, que era um projeto muito polêmico. Mas conseguimos colocar a pauta para tramitar e alguns conservadores começaram a apresentar reações muito ruins, alguns nem queriam discutir o projeto. Eles passaram a me atacar. Diziam que era oportunismo meu, que estava fazendo firula, que queria aparecer na mídia. Mesmo com a noção das dificuldades, eu entendia que o debate precisava ser aprofundado, mas não deu.

 

Teia: E o debate começou a ser barrado, a partir de que momento?

Luiza: Foi depois dessa confusão. Eles (colegas deputados) começaram a achar que eu estava me saindo muito fortalecida com a simpatia da mídia e da sociedade organizada. Com isso resolveram barrar o debate. Eu lutava para discutir, para debater nas comissões, mostrar à população os ganhos e perdas desse projeto. Eu aprovei o projeto em Camaçari, deu muito certo, a população aplaudiu, mas infelizmente na Assembleia não andou.

Teia: A senhora já sabia que o projeto não teria futuro, ou acreditou na aprovação até o último instante?

Luiza: Eu já sabia, eu já sentia que eles não queriam aprovar e, pior, queriam cortar o debate da pauta da Assembleia. Eu faço sempre o questionamento no sentido de saber porque eles pediram dispensa de formalidade (quando vota sem debater nas comissões), já que a imprensa e a sociedade queria saber detalhes do projeto. Não teve jeito mesmo, eles barraram todo o diálogo, dizendo que não tem validade, que isso, que aquilo…Apesar de tudo, eu acho que não perdi nada, muito pelo contrário. Outro dia, um colega da bancada brincou comigo e disse que eu era a derrotada mais vitoriosa do mundo, porque sai vitoriosa na opinião popular.

 

 

Teia: A senhora não avaliou que comprar uma brigada deste tamanho poderia te deixar marcada pelos caciques da Assembleia que rechaçavam o seu projeto?

Luiza: Não, eu não tive essa preocupação e nem tenho, porque eu sei o que quero com a política. Para mim, se não for dessa forma, eu prefiro não fazer política. Eu sou militante política e acredito na organização do povo. Acredito na luta pelos direitos de vários segmentos e vou continuar nesse sentido. Eu não estou aqui para defender questões pessoais, estou aqui para reivindicar questões de interesse coletivo, em especial o povo menos favorecido. Eu sou uma representante do povo, sou mantida aqui com o dinheiro do contribuinte e temos que prestar conta do que fazemos.

 

 

Teia: A senhora “chegou chegando” e mostrou que é uma política de impacto. O que a população pode esperar de novo dessa cabeça pensante aí?

Luiza: Agora tem a Tribuna Popular, um projeto que prevê a abertura de espaçona Assembleia para que a sociedade organizada possa fazer seus pronunciamentos em plenário. Os pronunciamentos ocorriam todas as quintas-feiras, em um espaço reservado de 10 minutos. Esse é um esforço no sentido de aproximar a Assembleia Legislativa da sociedade. A Assembleia precisa resgatar a sua imagem positiva e a população precisa incorporar essa luta como sua.

Fotos: Geraldo Honorato

 

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