Luiza Maia escreve: O NOVO MUNDO DO TRABALHO


Vários ensinamentos de Karl Marx, principal ideólogo – ao lado de Friedrich Engels – do socialismo científico, sobre as relações de trabalho e os meios de produção continuam atuais. Para Marx, que cravou em uma de suas principais obras (O Manifesto do Partido Comunista) o célebre chamamento “Trabalhadores de todo o mundo, uni-vos!”, o operariado fabril, elevado à condição de vanguarda, representa o combustível necessário para a eclosão dos levantes revolucionários.

As assertivas de Marx datam do século dezenove e ainda continuam vivas e quentes no imaginário da esquerda, em alguns casos – não raros – com status de verdades absolutas. Sem qualquer tipo de argumentação estrutural e, por vezes, com viés dogmático.

Mas hoje, em pleno século 21 e no despontar da era da telemática, junção dos recursos da informática e das telecomunicações, o perfil da massa trabalhadora mudou em aspectos diversos e fundamentais. As fábricas e o campo já não são mais os fronts exclusivos da labuta. O proletariado, representado sob a égide da foice e do martelo, possui outros símbolos.

As “ocupações braçais” ganharam nova dinâmica e a própria gama de profissões foi amplamente alargada. Em suma, há a premente necessidade de “adaptar” e escrever, a partir da tradição marxista, novos capítulos da tríade trabalho, meios de produção e sociedade.

Marx será sempre brilhante, sobretudo pelo caráter visionário da sua obra, que até os dias atuais, cabe fazer essa justa referência, é matéria prima para reflexões em diversos campos do conhecimento científico.

Rever os tópicos acima significa, inclusive, mudar a abordagem e rever a tática de alguns sindicatos e federações de classe. Essa é uma outra seta indicadora dos novos sinais do tempo.

Sinais mais cruéis quando verificados no corpo mal tratado do terceiro mundo, historicamente acometido em maior grau pelos problemas do mundo do trabalho, vide o exemplo da crise econômica mundial instalada através do colapso do sistema financeiro estadunidense.

Que o 1º de maio, data destinada aos trabalhadores, tenha inspirado momentos de reflexão, principalmente em função da conjuntura econômica desfavorável. Às entidades protagonistas do movimento sindical e a todos os “proletários do século 21”, prevalece ainda o imperativo marxista, aparentemente primário, porém fundamental: “trabalhadores de todo o mundo, uni-vos!”. “Uni-vos” para bradar em alto e bom som que por trás das reivindicações salariais e do questionamento na participação nos lucros das corporações, existe uma luta maior, sistêmica, contra o modelo de organização político-sócio-econômico vigente.

É premente inserir nos discursos e, sobretudo, na ação política a falência do Capitalismo, que até pouco tempo mostrava-se inabalável e, agora, com o cenário de derrocada instalado, está declinando. Este é o momento favorável para propor alternativas e mostrar que é possível fazer diferente, distribuir renda mais eqüitativamente e garantir os direitos básicos universais para todos, como de fato deve ser.

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