Lula anuncia que será blogueiro quando deixar a Presidência

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu espaço na sua agenda nesta quarta-feira (24) para uma coletiva a blogueiros independentes. Durante a conversa, Lula avisou que depois de "desencarnar" do cargo de presidente da República, pretende se tornar "tuiteiro" e "blogueiro". Lula disse que vai ficar quatro meses sem fazer nada. "Quero desencarnar primeiro, para a gente começar a conversar. Pode ficar certo de que serei tuiteiro, blogueiro. Eu vou ser um monte de coisa que eu não fui até agora", disse.

Na conversa que durou quase duas horas, Lula falou sobre eleições, reforma política, aborto e a relação com a mídia nos quase oito anos de governo. Ele criticou o ex-candidato tucano à Presidência José Serra, por causa do episódio em que teria sido atingido por uma suposta bolinha de papel, durante a campanha eleitoral. Serra foi acusado de forjar um ataque.

"Eu não ia dar entrevista, mas aí, quando vi a cena patética que estavam montando… Eu falei: a Dilma não deve lembrar do jogo do Brasil de 1990. Ela não deve saber nada do tal do Rojas (goleiro da seleção do Chile). Eu vou falar. Porque realmente foi uma desfaçatez. Eu perdi três eleições. Poderia perder a quarta, a quinta, jamais teria coragem de fazer uma mentira daquela. Eu fiquei decepcionado porque tentaram inventar uma outra história. Tentaram inventar um objeto invisível que até agora não mostraram. Não precisa disso. O Serra tem de pedir desculpa ao povo brasileiro. Porque ninguém pode brincar com o povo desse jeito", afirmou.

O presidente Lula revelou que após deixar o governo tem vontade de trabalhar com experiências que foram bem sucedidas no Brasil. "Tenho vontade de trabalhar na América Central, nos países menores do Caribe. Ajudar a Gautemala, El Salvador, Nicarágua. Quero ver se eu dedico um pouco do meu tempo a levar algumas experiências de políticas nossas para ver se a gente consegue implantar na África".

Transição – Lula anunciou que no dia 15 de dezembro vai apresentar um balanço de tudo o que foi feito em todas as áreas do governo. "Vou fazer uma coisa nova que ninguém fez. Nós estamos fazendo um balanço de tudo o que foi feito pelo governo. Vamos registrar em cartório para que a gente não saia falando coisas que não fez. Quero registrar para deixar no Arquivo Nacional, na Biblioteca das Universidades, aquilo que foi a nossa passagem pelo governo".

Mídia – O presidente disse que quando deixar a Presidência vai voltar a revista e jornal. "Eu parei de ler. Pelo fato de não os ler, eu não fico nervoso. Eu vou reler muita coisa porque quero saber a quantidade de leviandades, de inverdades que foram ditas a meu respeito. Apenas para gravar na história. Porque não foi fácil," desabafou. Lula disse também que não existe maior censura do que a ideia de que a mídia não pode ser criticada. "Quando você acusa uma pessoa, você tem de ter provas. Se der errado, peça desculpas. No Brasil, parece que é feio pedir desculpas".

Lula disse que o país precisa discutir uma nova lei de imprensa que regule a atividade dos meios de comunicação. "Regulação não é crime. O crime é a censura. Há regulação nos Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, Espanha, Portugal e França e lá ninguém diz que isso é um crime", enfatizou, reafirmando o seu compromisso com a liberdade de imprensa.

Reforma política – Para Lula é inconcebível o país atravessar mais um período sem fazer a reforma política. "Não é papel de quem está na Presidência. É papel dos partidos e do Congresso Nacional. No meu caso, (o papel) é convencer meu partido e, segundo, convencer os partidos de esquerda, porque muitos não querem. É preciso que as coisas aconteçam com a seriedade que nós queremos que aconteça no Brasil, sobretudo no financiamento de campanha. Eu prefiro o financiamento público, que a gente sabe quanto vai custar uma campanha", disse Lula.

 

PT na Câmara.

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