Lula critica reuniões fechadas do G8 e diz que sucesso do governo é resultado do óbvio

Em tom de despedida, como tem feito nos discurso dos últimos dias de mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o fato de o G8 fazer reuniões em salas fechadas. E disse que se for perguntado por que seu governo fez sucesso, responderá que é porque fez o óbvio.

"Quando você quer fazer o bem, faz em qualquer lugar. O mal é que você faz cercado, em reuniões distantes em que o povo não tem acesso", disse ontem no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, no discurso de encerramento da cerimônia de entrega da "Ordem do Mérito Cultural 2010", prêmio concedido pelo Ministério da Cultura.

Lula fez a declaração ao lembrar de sua estreia no cenário internacional quando, em junho de 2003, participou da reunião de cúpula das oito maiores economias mundiais, convidado pelo então presidente da França Jacques Chirac.

"Era a primeira vez que um presidente do Brasil iria participar do G8. E eu cheguei em Evian, a cidade toda cercada de arame farpado. Eu não sei por que o G-8 que é tão importante, eles se acham tão bons, é obrigado a fazer reuniões tão cercadas".

Lula disse que na reunião todo mundo "quase num passe de mágica" se levantou quando o então presidente americano George Bush entrou. "Eu peguei no braço do Celso Amorim e falei, nós não vamos levantar. Não era orgulho não, é que ninguém tinha levantado quando eu entrei", disse respaldado por gargalhadas e aplausos da plateia.

O presidente disse que não falava inglês e que um amigo dizia que seria um sucesso se ele aprendesse algumas palavras. Voltei para o Brasil com alívio e sensação de ter vencido, porque a imprensa brasileira se preocupava com o fato de eu não falar inglês e pensei: passei no primeiro teste, não preciso falar inglês para governar o Brasil.

O ÓBVIO

Lula disse que ser for perguntado por que seu governo teve sucesso vai responder que é porque fez o óbvio. "O óbvio é a única coisa que um governante tem que fazer. Inventar é para cientista. Não é para governo. O governo faz, realiza".

 

Folha Online.

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