Lula diz que ele e Dilma estão ‘preocupados’ com guerra cambial

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que ele, a presidente eleita, Dilma Rousseff, e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, estão "preocupados" com a política de Estados Unidos e China de desvalorização de suas moedas, prejudicando as exportações brasileiras.

"Nós estamos trabalhando preocupados com o que está acontecendo com os Estados Unidos e com a China. O fato de duas economias do tamanho da chinesa e da americana tentarem fazer sua competitividade desvalorizando as suas moedas não é correto e não é justo para o comércio internacional", afirmou o presidente, que discursou na posse da nova diretoria da CNI (Confederação Nacional da Indústria), em Brasília.

Segundo o presidente, "se o comércio é livre, ele é livre para valer".

Lula disse ter falado sobre o assunto com o presidente norte-americano, Barack Obama, no último encontro entre os dois, destacando ao americano que o maior superávit comercial dos EUA é com o Brasil.

Na semana passada, o FED (Banco Central americano) anunciou a injeção de US$ 600 bilhões na economia, por meio da compra de títulos do Tesouro americano. Ou seja, basicamente haverá impressão de moeda. O receio no governo brasileiro é de que esse excesso de liquidez repentino tenha reflexo aqui.

EX-SOCIALISTA

Para uma plateia de cerca de 1.500 pessoas, entre elas dezenas de deputados federais e senadores, Lula fez um discurso de 30 minutos, parte improvisado, com um balanço geral de seu governo.

Na mesa principal, estavam o vice-presidente eleito, Michel Temer (PMDB), e o governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia (PSDB), além do ex-presidente da CNI e senador eleito, Armando Monteiro Neto (PTB-PE), e do novo presidente da entidade, Robson Andrade.

Lula arrancou risadas da plateia em diversos momentos. Um deles ao destacar a expansão do crédito ao setor privado no Brasil durante seu governo. Dirigindo-se a Robson Andrade, afirmou que se "dizia socialista" e que agora "fortalecia o capitalismo".

"Esse país era um país capitalista que não tinha capital nem crédito. E foi exatamente eu, que passei a vida inteira me dizendo socialista, que vim fortalecer o seu capitalismo aqui", afirmou.

O presidente também afirmou que Robson Andrade e Armando Monteiro Neto pareciam "presidentes do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo", porque a pauta de reivindicações entregue pela CNI ao governo continua a mesma de quatro anos atrás, quando Armando Monteiro assumiu a entidade.

A imprensa também voltou a ser citada por Lula em seu discurso. Comentando a sua popularidade –83% de ótimo ou bom, segundo o Datafolha–, disse que ela não se devia à imprensa.

"Ela [a imprensa] gosta de mim, mas nem tanto", disse.

 

Folha Online

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