Mulheres indígenas serão conscientizadas sobre seus direitos

FOTO: Reprodução
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Quinta, 12 de Novembro de 2009

As mulheres indígenas vão passar por um processo de conscientização sobre seus direitos como cidadãs, e também receberão apoio no escoamento de suas atividades de sustentabilidade, um dos principais obstáculos enfrentados pelas mulheres indígenas.

Estes são alguns dos projetos da recém-criada Gerência de Atenção às Mulheres Indígenas do Amazonas da Secretaria Estadual dos Povos Indígenas (Seinf).

A titular da gerência, a indígena tukano Miquelina Barreto, 50, explicou que muitas Mulheres têm dificuldade de aplicar a Lei da Penha nas aldeias porque seus maridos teimam em não ser enquadrados na legislação. “Os povos indígenas têm suas próprias punições, mas podemos conciliar as regras para que as Mulheres não sofram violência”, disse Miquelina, que ontem tomou posse como gerente de atenção às Mulheres indígenas do Amazonas.

Miquelina espera que, a partir de 2010, com um orçamento maior, a Seind tenha condições financeiras de levar informações “documentadas” nas aldeias sobre os direitos das mulheres. Para a gerente, as Mulheres indígenas precisam também receber formação, ter direito à educação, para que elas “saibam de seus direitos e deixem de ser tímidas para falar em defesa de suas comunidades”. Essa formação, segundo Miquelina, contudo, precisa receber apoio financeiro para ser levada em prática. “Somos uma gerência nova, mas em 2010 vamos batalhar para conseguir verba que torne possível esse trabalho”, conta.

Outra iniciativa pretendida pela gerência é ajudar as organizações de Mulheres na comercialização de seus produtos artesanais. “As associações precisam se estruturar. Muitas Mulheres falam que produzem, mas não sabem como vender. Elas também sofrem pressão de seus maridos, que cobram retorno para uma atividade que, muitas vezes, enfrenta dificuldades”, conta.

Conforme Miquelina, o papel das Mulheres é fundamental na manutenção da identidade étnica, da cultura e da língua dos povos indígenas. “São as Mulheres que passam mais tempo com seus filhos e repassam informações sobre seu povo. São elas que o ensinam a falar e, por isso, precisam saber da importância de preservar sua cultura”, explicou.

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