Novo presidente da Câmara fala sobre seus projetos e desafios

 

Camaçari Fatos e Fotos – Quarto mandato, superando inclusive o seu pai, mas agora com uma função diferente, em uma posição de destaque e maior responsabilidade. Como será Teo Ribeiro como presidente da Câmara de vereadores de Camaçari?

Teo Ribeiro – Não muda muito. Só aumenta realmente a responsabilidade. Eu vou gerir a Câmara com muita simplicidade, pedindo a todos que contribuam com carinho, amor, simplicidade e com Deus no coração. Vou ser justo e dar a modernidade que a Câmara precisa. Agora vamos fazer com muita tranquilidade, sobretudo, e com muita vontade de acertar. Eu vou dar o meu melhor.

CFF – O senhor tem muitos vereadores calouros. Algum projeto, no sentido de orientá-los sobre o regimento interno, os procedimentos internos?

TR – Olhe, até eu estou precisando rever os meus conceitos em relação ao regimento, tanto que a nossa primeira iniciativa, antes de começar os trabalhos legislativos, é fazer um estudo do Regimento Interno e da Lei Orgânica, para que a gente chegue lá respeitando os principais norteadores da ação parlamentar. Uma das coisas que eu quero é que os vereadores respeitem o seu regimento. Não dá pra poder ver aquela casa bagunçada que vimos no ano que passou.

CFF – Mas há alguma coisa para orientá-los, algum projeto para isto?

TR – O projeto é fazer o estudo dirigido do regimento. Quando cheguei, em 1997, àquela casa, no meu primeiro mandato, eu participei do estudo do regimento. A gente vai pegar alguns dias da semana, a partir do dia 1º de fevereiro, e discutir o regimento para que todo mundo tenha um conhecimento mínimo quando chegar a abertura dos trabalhos legislativos, em 19 de fevereiro.

CFF – O senhor tem margem de sobra, com a bancada de 12 dos 19 vereadores caso o queira fazer. Haverá alguma mudança no regulamento interno e na Lei Orgânica?

TR – Não. A gente vai fazer uma revisão e o que já caducou vamos tentar trazer para os dias de hoje. Mas isto é uma coisa que os técnicos vão estar nos orientando. Pretendo também incluir a sociedade em algumas dessas discussões, até porque a Lei Orgânica é, na prática, a Constituição Municipal, sendo assim diz respeito a toda a população.

CFF – Há previsão para isto?

TR – Não há previsão porque depois de um tempo, um bocado de coisa mudou. Uma palavra aqui, outra ali, então a gente vai modificar para dinamizar o trabalho.

CFF – Diz-se pelos cantos e recantos das discussões de bastidores políticos, que o senhor usará de sua boa relação com os oposicionistas em favor de Ademar…

TR – Não existe Câmara de oposição e situação. Existe uma Câmara só, o Poder Legislativo. Vou respeitar todos os vereadores. Todos terão o mesmo direito dentro daquela casa, porque ela não é do presidente ou do governo. Aquela casa é de todos os vereadores. Então tenho que respeitar cada vereador ali como o dono daquela casa. Não posso fazer distinção. Tenho que tratar com igualdade e respeito a todos.

CFF – Projetos aprovados e muitos deles não executados. Algo neste sentido, considerando a facilidade que teria, junto ao prefeito?

TR – Você sabe que compete à Câmara fiscalizar e fazer as leis, mas executar é uma prerrogativa do Executivo. Logicamente que todas as matérias que vão passar por aquela casa eu vou querer que sejam executadas. A gente passa por um crivo. Muitas coisas que o vereador almeja ali ele precisará entender que deve passar pelo orçamento, que a gente votou lá atrás. Então, como a gente está chegando agora, precisamos nos preparar para, no ano que vem, estar atento a este orçamento. Porque muita coisa o vereador não pode criar despesas para o município. A gente precisa trabalhar muito isto. O que não for despesa a gente vai para cima; o que for, vamos sentar com jeito, mostrando ao prefeito que é importante, que fará bem à cidade.

CFF – O presidente Zé de Elísio (PP) não manteve a mesma dinâmica que a então vereadora Luiza Maia (PT) na direção da Câmara. Algo previsto no sentido de uma retomada? Algum novo projeto?

TR – Eu não quero fazer um comparativo. 

CFF – Mas a pergunta quem está fazendo sou eu.  O senhor responde se tiver alguma coisa nova ou a reabilitação de projetos que estão estacionados…

TR – Independente de estar respondendo em cima de Zé de Elísio, ou Luiza Maia, eu digo o seguinte: tem projeto de Luiza que eu acho interessante e pretendo fazer, que é o caso do Observatório Parlamentar, mas também da gestão de Zé tem o Banco de Idéias, que eu acho muito importante. 

CFF – Mas há projetos seus?

TR – A Rádio Câmara, a criação do Comitê de Imprensa e a ampliação da TV Câmara. 

CFF – Como vai funcionar a Rádio Câmara?

TR – A gente quer tentar que a Rádio Câmara dê acesso a toda a cidade. Qual é o entendimento da gente? A gente sabe que 75% da população brasileira ouve rádio. Então, o que temos que fazer é que as pessoas que não têm como se deslocar, ouçam a sessão pelo rádio. E a gente sabe que a nossa cidade toda precisa ser ouvida. Implementando a Rádio Câmara vamos dar oportunidade ao pessoal da zona rural, ao pessoal mais distante.

CFF – Qual é o propósito?

TR – Fazer com que o povo camaçariense quando for para a eleição vá votar mais com a cabeça e menos com a barriga, porque ele vai está ouvindo o que o vereador dele está fazendo na Câmara. É importante você difundir os trabalhos legislativos, até porque o vereador é muito mal analisado. O pessoal diz que o vereador não faz nada, que ele está fora, jogado em uma vala comum. Eu estou querendo mostrar que não é nada disto. O vereador tem um trabalho importante. Trabalha muito. Agora mesmo estou ouvindo muito sobre este recesso. Ledo engano. O vereador está trabalhando. Ele está com recesso das sessões legislativas, mas está trabalhando desde o dia 1º.

CFF – O CFF publicou uma matéria recentemente sobre esta questão do percentual do aumento do salário dos vereadores, prefeito e secretários. O que o senhor diz a respeito?

TR – É uma questão racional. O vereador está vereador. Ele não é vereador. Você vive em uma cidade da extensão de Salvador, que é Camaçari. Você precisa se locomover. O trabalho é árduo. Então você precisa ter um salário bom. Eu não acho plausível um prefeito que lida com um orçamento de 800 milhões, receber 8 mil reais brutos por mês.

CFF – Quando foi o último aumento que o senhor teve?

TR – Há mais de 8 anos…

CFF – Eu, que sou cadeirante, participei há três anos de um debate sobre “acessibilidade na cidade”, mas encontrei barreiras na própria Câmara para acessar o estúdio de tevê onde aconteceu o evento. Há previsão de se corrigir isso na construção do Anexo que pretende fazer?

TR – Na época em que foi feita a Câmara ela era um prédio moderno, mas esqueceram das pessoas que têm necessidades especiais. Aí você tem uma Câmara hoje que os cadeirantes não podem subir no segundo andar porque não tem uma rampa, não tem um elevador. Então os cadeirantes não têm acesso aos gabinetes. Eu tenho um problema agora: um assessor de um dos vereadores que assumiu é cadeirante. Então esse vereador tem que ter o gabinete dele no térreo porque o funcionário não vai poder trabalhar, porque o prédio, da forma como está hoje, não dá condição. Isto é inadmissível. A gente precisa preparar a Câmara para que estas pessoas com necessidades especiais possam estar subindo e descendo, porque aquilo é do povo. É preciso construir um anexo para que a gente possa colocar rampa, colocar elevador para que as pessoas, de uma forma geral, tenham acesso.

CFF – O senhor assinou um decreto demissionário recentemente e a Câmara está aberta para uma reestruturação dos seus quadros. Ela vai ser toda reformulada, completamente nova, ou haverá reavaliação e reaproveitamento de alguns, dos bons quadros que lá estavam?

TR – Este é o meu sentimento. Fazer uma Câmara totalmente nova, não esquecendo as coisas boas que têm ali. A gente vai aproveitar…

CFF – Houve demagogia, quando o senhor disse que é “um soldado do projeto”, caso o presidente da Câmara fosse uma outra pessoa e não o senhor?

TR – Não. E a prova disto foi o pleito passado, de dois anos atrás: eu briguei, esperneei, usei todas as armas que podia usar para ser presidente naquela época, fui vencido e em momento nenhum eu votei contra este projeto. Se você fizer uma análise, vai ver que eu esperneei, mas não votei em nada contra o governo. Em hora nenhuma fui contra o projeto. Fui sincero. Prova disso é que aceitei o resultado.

CFF – Mas agora o senhor foi o escolhido. Então é complicado o senhor dizer que foi sincero. A questão é: se fosse o outro nome, e não o seu, o senhor continuaria conforme o seu comportamento “sempre pelo projeto”?

TR – Agora, mais maduro, talvez esperneasse menos.

CFF – Mas espernearia…

TR – É lógico. Ninguém perde sorrindo em nada na vida. É uma disputa. O vereador é igual ao jogador de futebol. O jogador de futebol, quando está na escolinha, sonha jogar na seleção. O vereador, quando ganha a eleição, quer ser o presidente da Casa e depois prefeito. Eu venho esperando pacientemente. Estou no quarto mandato. Venho esperando a minha oportunidade. Estou no quarto mandato e indo no mesmo objetivo, sem mudar uma vírgula do meu sentimento. Acompanho este projeto político desde o meu primeiro mandato. Então, eu não mudei; eu continuo o mesmo, mas questiono. Eu vou para a briga. Isto é do DNA do meu partido. A gente briga, mas, na hora que fecha a questão, somos disciplinados.

CFF – Muito se tem dito Brasil a fora sobre transparência nos gastos públicos, mas pouco efetivamente feito.  O presidente Téo fará diferente?

TR – Com certeza. Primeiro que estou montando a casa bem devagar para não ir com pressa. Se eu conseguir fazer isto no todo, certamente a gente já vai começar fazendo a coisa com transparência e vamos usar todas as ferramentas para que o povo possa acompanhar de perto. Vou abrir a Câmara para a imprensa, para a comunicação, é porque eu quero que a coisa tenha transparência, que eu quero que todo mundo veja o que se passa ali.

CFF – Até onde ou quando a dinâmica da política pode superar princípios?

TR – Nunca! 

CFF – Quem vai mandar na Câmara, Teo ou Ademar?

TR  Teo.

CFF – Como a Câmara vai tratar a comunicação da Casa e os veículos que a cobrirem?

TR – Eu estou escolhendo para a minha administração os melhores e as pessoas daqui de Camaçari. O chefe da comunicação do legislativo será Geraldo Honorato, um dos melhores profissionais que conheço na área. Uma das minhas primeiras iniciativas foi convocá-lo. Ele tem a cara da cidade.  A comunicação será tratada como uma de nossas prioridades. O profissional que cobre as sessões e o dia a dia da Casa será respeitado, tratado com dignidade, porque eles cumprem um papel importante na nossa sociedade.

CFF – O senhor diz que fará, mas vai mesmo completar os quadros da Câmara de Vereadores apenas com funcionários moradores daqui de Camaçari?

TR – Pretendo. Isto é questão que eu não abro. Não abro mão disto. Eu respeito muito todos os funcionários, mas é justo você dar oportunidade a pessoas daqui da cidade. E isto é matéria que não cabe na minha cabeça, pensar em montar meu time com pessoas de fora.

CFF – Expectativas para a sua gestão?

TR – Poder fechar o final do mandato com alegria. Feliz de ter feito o anexo, de ter instalado a Rádio Câmara. De ter feito voltar o Observatório Parlamentar; de ter dinamizado as coisas; de ter fechado a gestão com transparência e a ter feito o mais transparente possível. Fazer com que o povo tenha mais participação. Fazer com que aquela casa seja não só seja dinâmica mas, também, fazer com que os vereadores façam os seus mandatos com muito respeito.


CFF – Do ponto de vista político, 2014 já começou…

TR – Eu estou em 2013. Estou pensando em 2013 e ainda não parei para pensar em nada que não seja isto. Estou no foco de fazer uma boa gestão e eu não posso pensar muito em outra coisa, lá na frente, para não perder de vista a importância de uma boa gestão.

CFF – Suas considerações sobre a gestão de Luiz Caetano nos oito anos e o que espera de Ademar…

TR – Caetano não será superado facilmente, porque ele conseguiu, na minha visão, eu que moro aqui, superar a todos; é o melhor prefeito na história de Camaçari. Caetano quebrou paradigmas, quebrou barreiras. Caetano é o prefeito que deixa esta cidade com o feito de ter eleito o seu sucessor, coisa que outros governantes nunca conseguiu fazer na vida de Camaçari. Então é com esta visão que vou fazer a presidência e vou cobrar de Ademar, para que ele supere Caetano. De cara, digo que acho difícil, mas confio na capacidade de Ademar

CFF – O sonho de se tornar prefeito permanecerá em stand-by ou agora com a presidência da Câmara a vontade está mais latente?

TR  É lógico que o coração bate mais forte com a presidência. Eu acho que a presidência vai servir de experiência. Vai servir de teste. Porque sempre há uma pergunta na cabeça da gente: “eu estou preparado para ser o gestor? Na minha compreensão, estou preparado para ser presidente da Câmara e acho que esta gestão pode me credenciar para um dia ser prefeito desta cidade.

 

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Novo presidente da Câmara fala sobre seus projetos e desafios

 

Camaçari Fatos e Fotos – Quarto mandato, superando inclusive o seu pai, mas agora com uma função diferente, em uma posição de destaque e maior responsabilidade. Como será Teo Ribeiro como presidente da Câmara de vereadores de Camaçari?

Teo Ribeiro – Não muda muito. Só aumenta realmente a responsabilidade. Eu vou gerir a Câmara com muita simplicidade, pedindo a todos que contribuam com carinho, amor, simplicidade e com Deus no coração. Vou ser justo e dar a modernidade que a Câmara precisa. Agora vamos fazer com muita tranquilidade, sobretudo, e com muita vontade de acertar. Eu vou dar o meu melhor.

CFF – O senhor tem muitos vereadores calouros. Algum projeto, no sentido de orientá-los sobre o regimento interno, os procedimentos internos?

TR – Olhe, até eu estou precisando rever os meus conceitos em relação ao regimento, tanto que a nossa primeira iniciativa, antes de começar os trabalhos legislativos, é fazer um estudo do Regimento Interno e da Lei Orgânica, para que a gente chegue lá respeitando os principais norteadores da ação parlamentar. Uma das coisas que eu quero é que os vereadores respeitem o seu regimento. Não dá pra poder ver aquela casa bagunçada que vimos no ano que passou.

CFF – Mas há alguma coisa para orientá-los, algum projeto para isto?

TR – O projeto é fazer o estudo dirigido do regimento. Quando cheguei, em 1997, àquela casa, no meu primeiro mandato, eu participei do estudo do regimento. A gente vai pegar alguns dias da semana, a partir do dia 1º de fevereiro, e discutir o regimento para que todo mundo tenha um conhecimento mínimo quando chegar a abertura dos trabalhos legislativos, em 19 de fevereiro.

CFF – O senhor tem margem de sobra, com a bancada de 12 dos 19 vereadores caso o queira fazer. Haverá alguma mudança no regulamento interno e na Lei Orgânica?

TR – Não. A gente vai fazer uma revisão e o que já caducou vamos tentar trazer para os dias de hoje. Mas isto é uma coisa que os técnicos vão estar nos orientando. Pretendo também incluir a sociedade em algumas dessas discussões, até porque a Lei Orgânica é, na prática, a Constituição Municipal, sendo assim diz respeito a toda a população.

CFF – Há previsão para isto?

TR – Não há previsão porque depois de um tempo, um bocado de coisa mudou. Uma palavra aqui, outra ali, então a gente vai modificar para dinamizar o trabalho.

CFF – Diz-se pelos cantos e recantos das discussões de bastidores políticos, que o senhor usará de sua boa relação com os oposicionistas em favor de Ademar…

TR – Não existe Câmara de oposição e situação. Existe uma Câmara só, o Poder Legislativo. Vou respeitar todos os vereadores. Todos terão o mesmo direito dentro daquela casa, porque ela não é do presidente ou do governo. Aquela casa é de todos os vereadores. Então tenho que respeitar cada vereador ali como o dono daquela casa. Não posso fazer distinção. Tenho que tratar com igualdade e respeito a todos.

CFF – Projetos aprovados e muitos deles não executados. Algo neste sentido, considerando a facilidade que teria, junto ao prefeito?

TR – Você sabe que compete à Câmara fiscalizar e fazer as leis, mas executar é uma prerrogativa do Executivo. Logicamente que todas as matérias que vão passar por aquela casa eu vou querer que sejam executadas. A gente passa por um crivo. Muitas coisas que o vereador almeja ali ele precisará entender que deve passar pelo orçamento, que a gente votou lá atrás. Então, como a gente está chegando agora, precisamos nos preparar para, no ano que vem, estar atento a este orçamento. Porque muita coisa o vereador não pode criar despesas para o município. A gente precisa trabalhar muito isto. O que não for despesa a gente vai para cima; o que for, vamos sentar com jeito, mostrando ao prefeito que é importante, que fará bem à cidade.

CFF – O presidente Zé de Elísio (PP) não manteve a mesma dinâmica que a então vereadora Luiza Maia (PT) na direção da Câmara. Algo previsto no sentido de uma retomada? Algum novo projeto?

TR – Eu não quero fazer um comparativo. 

CFF – Mas a pergunta quem está fazendo sou eu.  O senhor responde se tiver alguma coisa nova ou a reabilitação de projetos que estão estacionados…

TR – Independente de estar respondendo em cima de Zé de Elísio, ou Luiza Maia, eu digo o seguinte: tem projeto de Luiza que eu acho interessante e pretendo fazer, que é o caso do Observatório Parlamentar, mas também da gestão de Zé tem o Banco de Idéias, que eu acho muito importante. 

CFF – Mas há projetos seus?

TR – A Rádio Câmara, a criação do Comitê de Imprensa e a ampliação da TV Câmara. 

CFF – Como vai funcionar a Rádio Câmara?

TR – A gente quer tentar que a Rádio Câmara dê acesso a toda a cidade. Qual é o entendimento da gente? A gente sabe que 75% da população brasileira ouve rádio. Então, o que temos que fazer é que as pessoas que não têm como se deslocar, ouçam a sessão pelo rádio. E a gente sabe que a nossa cidade toda precisa ser ouvida. Implementando a Rádio Câmara vamos dar oportunidade ao pessoal da zona rural, ao pessoal mais distante.

CFF – Qual é o propósito?

TR – Fazer com que o povo camaçariense quando for para a eleição vá votar mais com a cabeça e menos com a barriga, porque ele vai está ouvindo o que o vereador dele está fazendo na Câmara. É importante você difundir os trabalhos legislativos, até porque o vereador é muito mal analisado. O pessoal diz que o vereador não faz nada, que ele está fora, jogado em uma vala comum. Eu estou querendo mostrar que não é nada disto. O vereador tem um trabalho importante. Trabalha muito. Agora mesmo estou ouvindo muito sobre este recesso. Ledo engano. O vereador está trabalhando. Ele está com recesso das sessões legislativas, mas está trabalhando desde o dia 1º.

CFF – O CFF publicou uma matéria recentemente sobre esta questão do percentual do aumento do salário dos vereadores, prefeito e secretários. O que o senhor diz a respeito?

TR – É uma questão racional. O vereador está vereador. Ele não é vereador. Você vive em uma cidade da extensão de Salvador, que é Camaçari. Você precisa se locomover. O trabalho é árduo. Então você precisa ter um salário bom. Eu não acho plausível um prefeito que lida com um orçamento de 800 milhões, receber 8 mil reais brutos por mês.

CFF – Quando foi o último aumento que o senhor teve?

TR – Há mais de 8 anos…

CFF – Eu, que sou cadeirante, participei há três anos de um debate sobre “acessibilidade na cidade”, mas encontrei barreiras na própria Câmara para acessar o estúdio de tevê onde aconteceu o evento. Há previsão de se corrigir isso na construção do Anexo que pretende fazer?

TR – Na época em que foi feita a Câmara ela era um prédio moderno, mas esqueceram das pessoas que têm necessidades especiais. Aí você tem uma Câmara hoje que os cadeirantes não podem subir no segundo andar porque não tem uma rampa, não tem um elevador. Então os cadeirantes não têm acesso aos gabinetes. Eu tenho um problema agora: um assessor de um dos vereadores que assumiu é cadeirante. Então esse vereador tem que ter o gabinete dele no térreo porque o funcionário não vai poder trabalhar, porque o prédio, da forma como está hoje, não dá condição. Isto é inadmissível. A gente precisa preparar a Câmara para que estas pessoas com necessidades especiais possam estar subindo e descendo, porque aquilo é do povo. É preciso construir um anexo para que a gente possa colocar rampa, colocar elevador para que as pessoas, de uma forma geral, tenham acesso.

CFF – O senhor assinou um decreto demissionário recentemente e a Câmara está aberta para uma reestruturação dos seus quadros. Ela vai ser toda reformulada, completamente nova, ou haverá reavaliação e reaproveitamento de alguns, dos bons quadros que lá estavam?

TR – Este é o meu sentimento. Fazer uma Câmara totalmente nova, não esquecendo as coisas boas que têm ali. A gente vai aproveitar…

CFF – Houve demagogia, quando o senhor disse que é “um soldado do projeto”, caso o presidente da Câmara fosse uma outra pessoa e não o senhor?

TR – Não. E a prova disto foi o pleito passado, de dois anos atrás: eu briguei, esperneei, usei todas as armas que podia usar para ser presidente naquela época, fui vencido e em momento nenhum eu votei contra este projeto. Se você fizer uma análise, vai ver que eu esperneei, mas não votei em nada contra o governo. Em hora nenhuma fui contra o projeto. Fui sincero. Prova disso é que aceitei o resultado.

CFF – Mas agora o senhor foi o escolhido. Então é complicado o senhor dizer que foi sincero. A questão é: se fosse o outro nome, e não o seu, o senhor continuaria conforme o seu comportamento “sempre pelo projeto”?

TR – Agora, mais maduro, talvez esperneasse menos.

CFF – Mas espernearia…

TR – É lógico. Ninguém perde sorrindo em nada na vida. É uma disputa. O vereador é igual ao jogador de futebol. O jogador de futebol, quando está na escolinha, sonha jogar na seleção. O vereador, quando ganha a eleição, quer ser o presidente da Casa e depois prefeito. Eu venho esperando pacientemente. Estou no quarto mandato. Venho esperando a minha oportunidade. Estou no quarto mandato e indo no mesmo objetivo, sem mudar uma vírgula do meu sentimento. Acompanho este projeto político desde o meu primeiro mandato. Então, eu não mudei; eu continuo o mesmo, mas questiono. Eu vou para a briga. Isto é do DNA do meu partido. A gente briga, mas, na hora que fecha a questão, somos disciplinados.

CFF – Muito se tem dito Brasil a fora sobre transparência nos gastos públicos, mas pouco efetivamente feito.  O presidente Téo fará diferente?

TR – Com certeza. Primeiro que estou montando a casa bem devagar para não ir com pressa. Se eu conseguir fazer isto no todo, certamente a gente já vai começar fazendo a coisa com transparência e vamos usar todas as ferramentas para que o povo possa acompanhar de perto. Vou abrir a Câmara para a imprensa, para a comunicação, é porque eu quero que a coisa tenha transparência, que eu quero que todo mundo veja o que se passa ali.

CFF – Até onde ou quando a dinâmica da política pode superar princípios?

TR – Nunca! 

CFF – Quem vai mandar na Câmara, Teo ou Ademar?

TR  Teo.

CFF – Como a Câmara vai tratar a comunicação da Casa e os veículos que a cobrirem?

TR – Eu estou escolhendo para a minha administração os melhores e as pessoas daqui de Camaçari. O chefe da comunicação do legislativo será Geraldo Honorato, um dos melhores profissionais que conheço na área. Uma das minhas primeiras iniciativas foi convocá-lo. Ele tem a cara da cidade.  A comunicação será tratada como uma de nossas prioridades. O profissional que cobre as sessões e o dia a dia da Casa será respeitado, tratado com dignidade, porque eles cumprem um papel importante na nossa sociedade.

CFF – O senhor diz que fará, mas vai mesmo completar os quadros da Câmara de Vereadores apenas com funcionários moradores daqui de Camaçari?

TR – Pretendo. Isto é questão que eu não abro. Não abro mão disto. Eu respeito muito todos os funcionários, mas é justo você dar oportunidade a pessoas daqui da cidade. E isto é matéria que não cabe na minha cabeça, pensar em montar meu time com pessoas de fora.

CFF – Expectativas para a sua gestão?

TR – Poder fechar o final do mandato com alegria. Feliz de ter feito o anexo, de ter instalado a Rádio Câmara. De ter feito voltar o Observatório Parlamentar; de ter dinamizado as coisas; de ter fechado a gestão com transparência e a ter feito o mais transparente possível. Fazer com que o povo tenha mais participação. Fazer com que aquela casa seja não só seja dinâmica mas, também, fazer com que os vereadores façam os seus mandatos com muito respeito.


CFF – Do ponto de vista político, 2014 já começou…

TR – Eu estou em 2013. Estou pensando em 2013 e ainda não parei para pensar em nada que não seja isto. Estou no foco de fazer uma boa gestão e eu não posso pensar muito em outra coisa, lá na frente, para não perder de vista a importância de uma boa gestão.

CFF – Suas considerações sobre a gestão de Luiz Caetano nos oito anos e o que espera de Ademar…

TR – Caetano não será superado facilmente, porque ele conseguiu, na minha visão, eu que moro aqui, superar a todos; é o melhor prefeito na história de Camaçari. Caetano quebrou paradigmas, quebrou barreiras. Caetano é o prefeito que deixa esta cidade com o feito de ter eleito o seu sucessor, coisa que outros governantes nunca conseguiu fazer na vida de Camaçari. Então é com esta visão que vou fazer a presidência e vou cobrar de Ademar, para que ele supere Caetano. De cara, digo que acho difícil, mas confio na capacidade de Ademar

CFF – O sonho de se tornar prefeito permanecerá em stand-by ou agora com a presidência da Câmara a vontade está mais latente?

TR  É lógico que o coração bate mais forte com a presidência. Eu acho que a presidência vai servir de experiência. Vai servir de teste. Porque sempre há uma pergunta na cabeça da gente: “eu estou preparado para ser o gestor? Na minha compreensão, estou preparado para ser presidente da Câmara e acho que esta gestão pode me credenciar para um dia ser prefeito desta cidade.

 

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