Serra continua sem explicar denúncias de caixa dois tucano

Após adotar uma estratégia furada para responder denúncias publicadas na revista IstoÉ sobre o ex-diretor de Engenharia da Dersa, Paulo Vieira de Souza, acusado de ter fugido com R$ 4 milhões da campanha tucana, o candidato José Serra mudou radicalmente seu discurso.

Na primeira vez em que falou sobre as denúncias, Serra respondeu que nunca ouvira falar do engenheiro. Logo em seguida, após o engenheiro, conhecido como Paulo Preto, declarar à Folha de S.Paulo, em tom de ameaça, que o tucano o conhecia muito bem, e que "não se larga um líder ferido na estrada a troco de nada", Serra voltou atrás e defendeu o engenheiro, que foi demitido em abril deste ano, pelo governo de São Paulo, sem nenhuma explicação.

A questão envolvendo Paulo Preto foi levantada pela candidata Dilma Rousseff (PT) no debate de domingo (10), na TV Bandeirantes, a partir de reportagem da revista IstoÉ. Na ocasião, Serra ficou calado. No dia seguinte, durante uma atividade em Goiás, o tucano afirmou "nunca ter ouvido falar" no engenheiro e que as denúncias se tratavam de um factóide, criado para prejudicá-lo. Entretanto, esse discurso não durou muito tempo, ontem (12) após participar de missa na Basílica de Aparecida, Serra defendeu o ex-diretor da Dersa. "Isso não é verdade. Ele não fez nada disso, ele é totalmente inocente nessa matéria", disse o tucano, que ainda chamou Paulo Preto de "competente".

Segundo reportagem da revista IstoÉ, oito dos principais líderes do PSDB, afirmaram que Paulo Preto, ou Negão, teria arrecadado pelo menos R$ 4 milhões para as campanhas eleitorais de 2010. Entretanto, segundo a reportagem, os recursos não chegaram ao caixa do comitê do presidenciável José Serra. Como se trata de dinheiro sem origem declarada, o partido não tem sequer como acioná-lo judicialmente.

A mudança repentina no discurso do candidato tucano, na avaliação do deputado Ricardo Berzoini (PT-SP), pode ser a chave para a descoberta de um esquema ilegal de arrecadação de recursos para a campanha de Serra. Paulo Preto fez os pagamentos às empreiteiras que atuaram nas grandes obras de São Paulo, como o Rodoanel, a avenida Jacu-Pêssego e a ampliação da Marginal. "Com a legislação eleitoral atual, é impossível que haja ‘caixa 2′ na arrecadação de recursos para uma campanha política. Se realmente estas denúncias se confirmarem, demonstram a arrecadação ilegal", ponderou Berzoini. Ele explica que a lei eleitoral brasileira só permite a arrecadação de recursos para campanhas devidamente declaradas e nominais ao partido beneficiado.

"Esse engenheiro possivelmente atuava junto aos tucanos na arrecadação de recursos. Tudo indica que, em algum momento, houve divergência sobre os valores captados, daí a sua demissão do cargo. Isso é algo que precisa ser investigado porque, em suas declarações à imprensa, Paulo Preto dá a entender que tem informações que podem ser jogadas no ventilador para melar a candidatura tucana", afirmou Berzoini.

Para o líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), o candidato tucano deve explicações ao país sobre as denúncias. O petista também estranhou a mudança repentina no discurso de Serra sobre o episódio. "O Serra precisa explicar isso. Uma denúncia desta magnitude precisa ser apurada", afirmou.

 

 

PT na Câmara

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